quarta-feira, 24 de maio de 2017

estrelas cadentes

A primeira vez que vi  (ou melhor, ouvi) uma obra de Elizabeth Bishop foi num filme que fui assistir com minha mãe no cinema, há uns belos anos atrás, chamado "em seu lugar". O poema falava sobre a arte de perder e, se não me falhe a memória, já escrevi sobre ele aqui em algum momento. 
E no fim de semana, assisti ao filme Flores Raras, que conta a história de amor vivida entre Elizabeth e uma brasileira, a Lota de Macedo Soares. Engraçado como a gente pode ouvir a mesma coisa e senti-la de outra maneira depois.
Dessa vez, conheci um novo poema que Elizabeth escreveu pra Lota e achei uma das coisas mais lindas dessa vida. Não sei se o poema nasceu exatamente assim, mas no filme mostra Elizabeth lavando os cabelos negros e longos de Lota, no momento em que Lota a pergunta se ela achou muitos cabelos brancos por ali.

No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?
- Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia
amassada e brilhante como a lua.

Achei tão lindo, tão doce que agora nem me incomodam tanto os fios de cabelos brancos que eu teimo em arrancar da minha cabeça vez ou outra.

terça-feira, 23 de maio de 2017

sobre perder a conexão

Ultimamente ando tão fora de mim, não me encontrando em absolutamente nada do que antes era tão claro. É meio que se eu fosse uma outra pessoa, que não se reconhece mais na vida que eu levo. Perdi a conexão com muitas das coisas que me davam prazer.
Não me conecto mais a cuidar da casa, no sentido prático e literal mesmo. Eu gostava de curtir minha casinha, de cuidar, de pensar num quadro novo pra um canto sem uso. De trocar a roupa de cama, borrifar uma lavanda pra deixar com cheiro de novo, acender um incenso pra limpar a casa.
Cozinhar também não me interessa mais. Pouco tenho vontade de ficar na cozinha, como antes, curtindo as misturas de temperos e experiências que eu fazia. Reunir os amigos pra servir a eles uma bela comida. Não, já não me agrada mais.
Escrever por aqui. Bem, escrever sempre foi uma terapia. Um escape, um jeito de colocar pra fora os pensamentos - que de muitos, transbordam - gritam pra serem colocados pra fora, nem que seja aqui. Mas, confesso, me sinto desconectada disso também. E tenho muitos assuntos e coisas pra colocar aqui, mas tenho uma auto censura que me impede nesse exato momento. A academia serve mais como um outro escape, outra fuga, assim como devorar o catálogo de coisas disponíveis no Netflix.
No trabalho, também estou desconectada. Não sem vontade, mas entregando aquilo que é esperado. Nada além, nem aquém. No casamento, tão pouco. Me sinto totalmente perdida dentro do meu relacionamento. Como se nada mais fizesse sentido. Como se eu não reconhecesse mais a pessoa que eu era há oito anos atrás. 
Não me sinto conectada com nada. Sinto que algo aqui dentro grita, suplica por mudanças. Mas, a gente sempre tem medo de mudança. É tudo tão tranquilo, seguro, confortável e quentinho, pra que mexer?
Que nem aquela gaveta que a gente vai colocando todo tipo de tralha. A gente sabe que um dia não vai mais caber nada e que vamos ter que abrir pra limpar, tirar tudo o que não presta, jogar fora coisas que a gente nem lembra mais. Tudo pra poder caber coisas novas. Ou quem sabe, dar um novo uso pra essa gaveta.
Mas, no fundo a gente sempre deixa pra depois essa tal gaveta. A gente sabe, mas tem medo de abrir e ver toda aquela bagunça. E vamos empurrando, esquecendo, arrumando desculpa. E é assim que eu tô com a minha vida, levando, fingindo que não tá acontecendo nada, só vendo o tempo passar. 

terça-feira, 9 de maio de 2017

profecias

Eu acredito em astrologia e coisas esotéricas. E justamente por acreditar bastante, evito ficar procurando previsões pro futuro. Eu gosto de viver a vida saboreando as surpresas que vem com ela. Mesmo que no meio de tanta coisa boa, acabe vindo uma ou outra coisa ruim.
Só que, em determinados e cruciais momentos, recorro a uma cartomante de confiança. Lembro que a primeira vez que fui foi há exatos dezessete! anos. Apesar de eu acreditar muito, fiquei com um pé atrás, afinal o mundo tá cheio de gente golpista. Mas, no caso dela, além de ela não cobrar (naquela época), aconteceu tudo muito naturalmente.
Eu não disse muitas coisas, não foi preciso. Ela foi me contando a minha vida como um filme, acertando tudo o que eu estava vivendo e fazendo previsões pro futuro próximo. De tudo que ela falou, 90% aconteceu.
Fiquei com medo de tamanha precisão e decidi que não voltaria nela tão cedo. E assim foi. Só voltei a ir lá em 2010, porque eu estava passando por uma fase que precisava de muitas respostas. E mais uma vez, ela leu minha vida através das cartas. E por mais que as respostas que eu buscava não fossem as que eu gostaria de ouvir, foram as que aconteceram e novamente ela acertou praticamente tudo.
E, neste ano, em que mais uma vez eu me sentia e ainda sinto perdida, procurando respostas e saídas, recorri à ela. Sete anos depois. Mais uma vez a história se repetiu e ela me disse um monte de coisas que eu até suspeitava, mas precisava de uma confirmação.
Sim, eu sou dessas que acredita e vê sinais em tudo. Sim, eu acredito nessas coisas que pra muitos é uma grande bobagem. E sim, eu acho que a cada decisão que tomamos, mudamos um pouco o caminho do nosso futuro. Afinal, são essas decisões que nos levam até onde estamos.
Pois bem. Uma das coisas que ela me disse que aconteceria, acabou de acontecer e com todos os requintes de detalhes que ela disse que seria. Pra exemplificar um pouco melhor, suponha que alguém te diga que hoje você vai comer um bolo de cenoura com cobertura de limão colorido de rosa. Improvável, mas no fim do dia lá está você, devorando essa maravilha exatamente do jeito que te falaram que seria.
Sim, eu estou feliz em partes. Só que no meio de tudo isso, ainda tem previsões que não aconteceram e que tem data pra acontecer. Segundo ela, agosto será um mês definitivo na minha vida. E tem tanta, tanta coisa amarrada, que eu só consigo pedir a deus que ele esteja do meu lado pra passar por tudo isso. 
Vamos lá, acreditando e confiando que o bom está por vir. Sempre, mesmo que de maneiras misteriosas.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

filmes e seus recadinhos

- o que você faz diante de uma escolha difícil?
- isso não existe, porque sempre que você joga uma moeda pra cima, você já sabe que lado gostaria que ela caísse
(O Exótico Hotel Marigold 2)

Sim, eu sou dessas que tira lições e insights de filmes/séries/novelas/etc. Nesse feriado, aproveitei (mais uma vez), entre outras coisas como dormir muito, assistir filmes. Tenho uma lista gigante de pendências no netflix, now e cia.
Muito sem querer, liguei a tv no sábado à tarde e estava passando um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos, Comer, Rezar, Amar. E eu sempre paro pra assistir, não importa em que parte esteja. E toda vez eu tiro uma nova lição ou algo novo que havia passado despercebido, ou que faz mais sentido agora, dependendo daquilo que esteja passando na vida.
Dessa vez não foi diferente. Mas, pra minha surpresa, a parte que eu menos tinha dado atenção até agora (no caso a parte em que ela só come), foi a parte que mais me inspirou. É sempre como se o universo me mandasse um novo recado. Isso acontece só comigo ou alguém já sentiu isso também?
Enfim, depois, acabei escolhendo três outros filmes aleatórios que coincidentemente tinham a mesma temática: a Índia. 
Não vou me estender muito falando sobre eles, apenas que valem a pena assistir porque são deliciosos de se ver e estão cheio desses recadinhos especiais que a gente ama receber. O Homem que viu o Infinito e A 100 Passos de um Sonho (ambos disponíveis no netflix) e O Exótico Hotel Marigold 2 (por favor, vejam os 2 filmes, são maravilhosos), ambos disponíveis no now.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

#chateada*

Nos últimos dias, alguns conhecidos mudaram de emprego. Fico feliz (de verdade), porque sei que é a coisa mais normal e natural dessa vida: ir atrás de coisas melhores pra nós. E é tão gratificante quando acontece, especialmente quando é merecido, que nem sei descrever a sensação.
Nesses meus doze anos de carreira, até ter sido demitida no ano passado porque, além de carregar o cliente mais importante nas costas e fazer o trabalho da minha diretora, falei por aqui que meu chefe era mole (o que não era mentira nenhuma), era isso que acontecia na minha vida.
Sempre que eu conseguia um trabalho novo, era uma oportunidade de grana melhor. E também de aprendizados. Mesmo os lugares mais escrotos sempre me ensinaram algo: não ser escrota como eles, por exemplo.
E, tirando o fato de tudo ter sido mérito próprio e não pagação e babação de ovo, eu sempre sentia aquele orgulhinho quando conseguia esses tão esperados up grades da vida. Mas, já completei um ano em que tive que tomar uma decisão, que sim foi a mais acertada no momento, de andar pra trás.
Sim, eu ocupo um cargo abaixo do que eu tinha, ganho muito, muito menos do que há 3 anos atrás e não vejo nenhuma perspectiva de melhora. Ouço promessas, blá blá blá, até acredito nelas, mas honestamente, me vejo estagnada.
Continuei procurando coisas melhores, mas elas não parecem destinadas a mim nesse momento. Muito também em função da minha decisão de voltar um cargo pra trás. Sim, minha carreira é muito preconceituosa.
Então a gente segue a vida, segue o jogo e eu continuo fazendo meu trabalho. Acompanhando, dia após dia, um colega conseguir um melhor trabalho, todo mundo caminhando pra frente, seguindo pra cima, crescendo.
E eu fico um pouco chateada por ter sido a única a ir pra trás e continuar lá, mesmo sabendo que não é exatamente isso que eu mereço. E sim, estou morrendo de inveja dessas pessoas. Mas, por favor, entendam que inveja não é desejar o mal (pelo menos não no meu caso, ou neste caso). De verdade. Só queria ter um pouco disso também.
Mas, dizem que estamos exatamente onde deveríamos estar, então quero acreditar que algo de muito bom está por vir. Tá difícil, mas quero muito acreditar.

*aos 45" do segundo tempo, troquei o título desse post (era inveja anteriormente)

terça-feira, 18 de abril de 2017

futilidades úteis

Já faz um tempo que venho procurando me desconectar da vida real através de duas coisas: academia e netflix. Tem ajudado bastante porque assim dou um descanso à minha cabeça que pensa demais. E, nas descobertas boas que a netflix {❤} me deu, resolvi partilhar aqui algumas indicações do que andei vendo, caso você também precise dessas pausas na vida.

Duas séries que já acabaram há mais de 10 anos e eu nunca tinha assistido (me julguem) e que acabei me apaixonando e virando fã são: Friends e That 70s Show. Parece meio óbvio o que vou dizer, mas se você assim como eu, nunca tinha visto os episódios em ordem cronológica, fica aí a dica, as séries são realmente apaixonantes. Ambas tratam de um grupo de melhores amigos (como não amar?) dividindo os problemas da vida.
Só me faz ser mais agradecida por ter amigos e poder contar com cada um deles. É muito amor!!! Embora as duas séries tenha uma veia mais cômica, alguns episódios são bem a realidade mesmo, afinal quem nunca experimentou as delícias e dores da vida com um bom amigo do lado, não é mesmo?
Outra dessas das antigas e que eu também não tinha visto por motivos de "torcia o nariz pra coisas da modinha" é The OC. É bem teen mesmo, do tipo leve e beirando a bobeira, mas é gostosinho de ver. Além de ter me apaixonado pela trilha da abertura (California, da banda Phantom Planet). Então fica mais essa diquinha aí.

Das produções originais Netflix (que tem muuuuuita coisa boa e de qualidade), vi Narcos, Stranger Things e Black Mirror. Essas não são lançamentos tão recentes, mas acho que valem a pena. Narcos conta um pouco da #vidaloka de Pablo Escobar e tem Wagner Moura mara no papel do próprio, Stranger Things é ficção científica, total estilo anos 80, meio Goonies, meio Conta Comigo e ainda tem Winona no elenco e Black Mirror que é uma mistura de ficção com um pouco do que vivemos hoje (pelo menos no meu ponto de vista).
Aliás, Black Mirror tem uma história desconectada da outra em cada episódio e confesso que não gostei da maioria deles, mas fiquei com muito medo em alguns. Meus episódios favoritos foram Hated in the Nation, San Junipero, Nosedive, Shut up and Dance e The National Anthem.

E das produções mais recentes, The Crown, que conta um pouco da história da realeza britânica e eu sou simplesmente apaixonada por essa temática. E a mais comentada e famosa do momento: 13 Reasons Why, que trata sobre suicídio e bullying. Essa vale muito, muito a pena ver.

domingo, 16 de abril de 2017

sonhos ou devaneios?

Outro dia li não sei onde, algo que dizia mais ou menos assim: já pensou que se você desistiu fácil é porque não era sonho, era só uma vontade?
Isso me fez pensar nas diversas vezes que já desisti de algo. Um projeto,  uma ideia, um desejo, um plano, um amor, um passeio, um filme na tv, etc, etc, etc. Sim, eu sou dessas que desiste fácil pelo jeito. 
Eu tô sempre desistindo de alguma coisa. No momento, e tem sido um momento bem difícil e delicado, estou desistindo da nossa casa. Aquela que escolhi com todo zelo e carinho e que fiz mil planos e que sonhei mil sonhos e tive mil ideias pra transformá-la no eterno castelo onde fomos felizes para sempre.
E também parei pra pensar que às vezes essa desistência é meio que uma consequência natural da vida. Porque sim, às vezes desistimos porque cansamos e vemos que não temos mais energia pra investir naquilo, e às vezes simplesmente somos obrigados.
Aí eu percebi que nunca desisti de um sonho de fato. E então constatei que talvez nunca tenha tido um grande sonho. Muito se fala em sonho, mas qual é o tal sonho da vida? Será mesmo que não temos muitas vontades disfarçadas de sonhos? E aí a cada desistência, um sentimento novo de fracasso?
Eu mesma já me fiz cobranças sobre essas tais desistências. Vivo falando que tenho vontade de mudar de profissão, mas ela passa logo que chegam as contas pra pagar e eu vejo que não tenho essa coragem toda de largar tudo e apostar num plano novo.
Mesmo já tendo tentado até. Ao menos posso dizer isso, tentei. Mas, pelo visto, não foi um sonho. Porque eu quero acreditar que quando existe mesmo um sonho, aquele sonho, a gente vai atrás com toda a coragem e com todo medo do mundo, mas vai. Que por mais que a gente caia, a gente levanta e continua. Por mais porrada que se tome, isso só vai fazer da gente mais forte pra continuar perseguindo aquele sonho. 
E aí percebi essa triste realidade: não tenho sonhos. Tenho vontades, muitas. Mas, que tal qual uma característica do meu signo (porque né, tudo é culpa das estrelas), vai e vem, muda e acaba, simples assim.
Fiquei triste, porque beirando os trinta e cinco anos, não realizei grandes feitos, não tenho grandes sonhos. E também fiquei aliviada por esse novo ponto de vista que me mostra que, na verdade, só estou deixando uma vontade passar. Ou trocando por outra, sabe-se lá.